17 de junho de 2012

Carta para uma amiga

Então amamos um cara. Logo depois aprendemos a lidar com a distância."
Essa frase não é minha mas, quando li, logo lembrei de você. E é exatamente assim que acontece. A gente espera tanto por uma pessoa que vai chegar e abalar nossa vida, virá-la de cabeça pra baixo. Esperamos alguém para amar, confiar, chamar de "príncipe". Esperamos por aquele alguém que teremos o privilégio de vê-lo dormindo, quietinho, lindo. E algumas pessoas realmente têm essa sorte. Mas aí esperamos tanto, tanto, tanto. Que uma hora cansamos. O café esfria, a esperança morre, o coração cansa, a mente enfraquece. Aprendemos finalmente a parar de esperar por uma coisa que pode nunca chegar. Aprendemos a amar a nós mesmas, a nos valorizar, e não precisar de ninguém. Nem de depender de outra pessoa para ser feliz. Ser auto-suficiente é o que há no momento, precisamos pensar em nós mesmas em primeiro lugar - sempre.

Viramos, finalmente, uma fortaleza. Afinal, ninguém poderá nos fazer sofrer, ninguém nos verá chorando, ninguém. Por mais que doa, por mais que esse vazio aperte e sufoque. Somos fortes, lembra? Vamos sobreviver.

Mas aí, como sempre, a vida surpreende. Esqueceu que ela dá voltas? Pois então. Aquela pessoa que a gente esperava, aquele cara dos nossos sonhos (literalmente!) aparece. E ele consegue abalar tudo. Aquela fortaleza desaba, nossa casca se abre e - veja bem - só uma pessoa conseguiu fazer isso até agora. A vida é uma loucura, não é mesmo? Nos entregamos tão facilmente a alguém, que ninguém nunca pensou que um dia isso poderia acontecer. E tanta coisa rola. É tanta história, tanto beijo, tanto carinho. Um pedido de namoro, uma caixa de bombom, um olhar que só os dois entendem. Várias e várias ligações e, no fim do dia, um "Boa noite, durma bem, eu te amo". Pois é, a frase nunca dita antes finalmente sai - de um jeito espontâneo, e um tanto engraçado. O tão esperado momento é seguido de pulos de felicidade, um abraço no melhor amigo e nenhuma palavra a mais; o coração só palpita feito doido. E quer saber de uma coisa? Histórias assim valem a pena. Têm lá as suas dificuldades, mas são lindas de viver, de ver. Nos ensinam coisas incríveis, nos fazem querer seguir em frente. Nos dão força. Chega uma hora em que a ficha cai, e nós percebemos que não dá mais para viver longe dessa pessoa. Que ela já faz parte da nossa vida, e se imaginar sem ela - sem as ligações, os beijos, os abraços, as brigas, tudo - não dá.

Mas então, vem o adeus. A distância é algo que não desejamos nem para o nosso pior inimigo. Chove semanas dentro da gente. A gente transborda, sofre, pensa que não dá mais. A gente cansa de tudo mais uma vez. Não pelo vazio, mas sim pelo buraco cheio que vai se esvaziar novamente. Tá tudo dando certo, tá tudo indo bem, até que desaba. O mundo cai sobre a gente. Eu sei bem como é, mesmo passando por coisas diferentes - na maioria das vezes, a dor é sempre a mesma. É difícil, eu sei. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta. Cada minuto que passa é um minuto a menos de tristeza - a dor vai passando aos poucos, e a gente nem percebe. Sei que é fácil falar, mas nós ainda temos muita coisa para viver. Muitos outros amores virão, junto de outros risos, outras histórias. A carta dele vai continuar guardada, você vai ver. Um dia ela ainda pode servir para um possível reencontro, mas enquanto isso, vamos vivendo. A vida é assim mesmo; pessoas que amamos muito são arrancadas dela. E essa não é a primeira nem vai ser a última vez que sofremos.

O que importa é que a gente sabe que valeu a pena. E que a gente viveu (não, não foi só um sonho!). Foi real. Foi na sua vida. E foi incrível.
O que resta é agradecer e desejar o melhor para o que está por vir. Que o destino saiba o que está fazendo e que rumo vai tomar. Que as melhores lembranças fiquem para sempre, e as más sirvam de lição. Que nada perca seu sentido e que, um dia qualquer, o telefone toque. E alguém do outro lado diga: "Boa noite, durma bem, eu te amo.

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