26 de outubro de 2012

Você, seus sorrisos e suas diferenças

E então você chega em mim, mais uma vez. Como se não quisesse nada, não fosse nada... como se a gente não tivesse vivido nada. Um beijo e depois um abraço, e aí eu me toco e caio na real. Como eu pude ter esperado esse tempo todo pra perceber? Eu não te culpo, afinal, é verdade que para um relacionamento dar certo, as duas partes têm que se entender. Se completar. Não basta apenas carinhos, arrepios, borboletas no estômago. Não basta o físico. É preciso sentir. Dar certo, fazer dar certo.

Nós tentamos. Eu ia aí te ver, e então você falava das nossas diferenças. Eu sei, você ia acabar nunca aparecendo nas festas lá de casa, e nos churrascos do fim de semana não ia dar as caras. Você preferia novelas, eu gostava de ouvir os meus discos. E enquanto você curtia suas baladas, eu ficava em casa lendo meus livros e escrevendo meus versos. Todo mundo falava que "os opostos se atraem". Se atraem, mas não necessariamente dão certo e acabam com um final feliz. Deve ter sido por tantas diferenças que, na multidão, eu acabei te notando. E deve ser por essa mesma razão que continuamos até hoje.

Da última vez em que eu te vi, já sabia qual seria a coisa certa a se fazer. Ter a certeza que seria a última vez que eu via aquele seu olhar - aquele que sorria a cada vez que me via chegar - doía. Era triste saber que eu não veria mais seus 7 sorrisos diferentes, que só ocorriam quando você estava comigo.
Mas era certo. Desde o começo eu deveria saber e, talvez por causa da insistência, doa mais. Mas é bom parar por aqui, antes que machuquemos mais alguém nessa história - ou mais a nós mesmos.

Me levanto, pego a chave do carro e o meu celular. Estou usando aquele batom que você tanto gosta, quero que na nossa última conversa você me ache bonita, assim como você acha todas as vezes que me vê com ele. Já no carro, ligo o rádio. Está tocando a nossa música, e eu coloco um CD dos Rolling Stones. Nada de tristeza, nada de relembrar momentos. Chego na sua casa, você não está. Pode ser a coisa mais covarde que eu esteja fazendo na minha vida, mas fazer isso é melhor do que ver o seu olhar notando o fim, e acabar fracassando. Deixo um bilhete em cima da sua escrivaninha. É o fim. "Mas nós tentamos, meu amor. Nós tentamos."

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