Quando o sentimento acaba

5h00 da manhã. Escuto meu celular tocando ao lado da minha cama, e a única coisa que consigo pensar é "quem pode ser uma hora dessas?" Ops, era engano. O cara parecia estar bêbado e perguntava por uma tal de Júlia. Dane-se, ele desligou. Volto a dormir.

Eu não costumo reparar quando uma coisa dessas acontece, mas é quase impossível não soltar um sorriso de felicidade. De felicidade e de alívio. Acho que pela primeira vez em tanto tempo aquela música dos Los Hermanos começou a tocar anunciando uma nova chamada, e eu não pensei em você. Nem em que bom seria se fosse você. Pois é, acho que as coisas estão mudando.

Pedaços da minha vida estão voltando ao lugar, e sinto lhe informar que você já não faz parte dela. Não é mais nenhum pedaço, nem nenhum pedaço seu é um pedaço da minha vida. Nem o seu olho azul, nem seu hálito de chiclete de morango. Nada que eu gostava, nada que eu odiava. Já posso te considerar completamente fora de tudo, principalmente fora de mim.

É claro que alguma coisa sempre fica. Mas são aquelas coisas que eu não posso apagar, sabe como é... As memórias continuam aqui. Não são coisas que passam toda hora pela minha cabeça, mas que de vez em quando surgem sem aviso prévio. Não acho isso ruim, pelo contrário. Não sinto absolutamente nada quando vêm as tais lembranças, as borboletas que viviam no meu estômago já morreram e estão se decompondo, e arrepios agora, só se estiver frio (e isso não foi uma ironia).

Mil vezes melhor ter você em pequenos fragmentos da minha memória, do que em partes do meu coração quebrado. Aliás, ele também já foi reconstruído. Depois que você desocupou seu espaço, ficou mais leve e agora já até bate direitinho.

Essas horas geralmente demoram para chegar, mas quando chegam, é pra valer. Eu finalmente posso dizer que o sentimento acabou, que eu te esqueci e que já me sinto livre. Livre para viver outras histórias e novos amores. Livre para me apaixonar de novo. Pronta para sofrer, quebrar a cara e chorar. Mas, acima de tudo, estou preparada para ser correspondida. Pela primeira vez na vida, amada por alguém, de verdade. Um alguém que – eu vou falar isso e juro que dessa vez não vai doer – não vai ser você.

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