5 de março de 2013

Porque o rum sempre acaba?

- Mas Professora, por que não podemos simplesmente fazer uma crônica? 

Perguntei, mas ninguém entendeu que não era uma piada. Em que tabu está escrito que precisa ser um texto dissertativo-argumentativo? O nome em si já é um porre. 

Nós podíamos usar o próprio porre, usar um bêbado inspirado em Jack Sparrow para criticar com argumentos próprios o sistema político brasileiro. Ele poderia ser negro. Uma crônica tem muito mais a acrescentar do que argumentações alheias e motivos que cospem em algumas horas.  

Voltei para casa pensando nisso, não na Crônica, mas em Jack. Talvez fosse melhor ser um pirata, um fardado de loucura. Imagine só se as crianças nascessem em embarcações e não tivessem medo do mar. Sem escolas, sem onze anos buscando conhecimento para te definirem numa redaçãozinha aos 17. Todo dia seria dia de aprender, e estudaríamos até a morte. 

Sem redes de arrasto, sem bombas atômicas, só canhões e pólvora. Ganharia quem soubesse manejar melhor o instrumento, e não quem tivesse a arma mais potente. Não temeriam a morte, ela seria quase sempre heroica. Talvez não houvesse sedentarismo em alto mar. Quem teria depressão quando se dá risada de tempestades e ondas gigantes? 

Quem se preocuparia com rumo? O rumo se resume a uma bússola. 

- Bem, você precisa escolher uma faculdade, filha. E um curso, um apartamento para morar. Nada de festas, essas cidades são perigosas. O mercado de trabalho está concorrido, não se esqueça do currículo bem feito, e você não pode ficar parada. Aprender mandarim te colocará a frente de todos.

Esse é o rumo do século XXI. Que não aponta para o norte. Aponta para todas as direções, até que você decida ficar no mesmo lugar. 

Parei em frente a janela de vista para o mar. Quem imagina que em águas tão calmas destinos incríveis já foram traçados? Pedi perdão ao mar pela humanidade. Por se esquecerem dele. Por largarem sua liberdade para se entocar em casulos na terra. Vivem em chão estável, quando podiam viver em solos maleáveis. Hoje ele se limita à uma banheira coletiva. É exatamente por isso que escondeu sua beleza nos escombros dos oceanos. Peixes cegos já viram mais do que nós.

Também deve ser por isso que não temos asas.

Estava para me perguntar como seria o amor entre piratas. Daria uma boa história. Mas como Jack tem seu rum, minha saudosa ilusão de dissipou como chuva. O meu rum, o meu sonho do mar fora todo consumido e agora resta eu, uma garrafa vazia.

Jack já tinha me alertado: O Rum sempre acaba! 


4 comentários:

  1. Ahhh, eu li esse texto da Ágilinda no tumblr s2

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  2. Peguei de lá mesmo Mateusinho haha <3

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  3. Vou começar a fazer uns textos e postar direto aqui, por que né? Esses exclusivos acabam ficando mal acostumados. rs

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  4. Pois é dona Agilinda, pode começar a fazer textos especialmente para o DA viu hehe

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