14 de março de 2013

Uma carta para você (leia depois que eu for embora)


Muitas pessoas falam de fases. É só você comentar em um dia qualquer que está mal que lá vem alguém dizer: "É só uma fase! Logo logo passa!". Sim, sempre passa. Já ouviu falar na efemeridade da vida? Então. Nada dura para sempre.

Acontece que, fases existindo mesmo ou não, eu nunca prestei atenção nelas. Vivo tão no presente sempre planejando meu futuro, que acabo nem percebendo o quanto as coisas mudaram. Ou o quanto eu mudei. Acho que a gente sempre muda de fase, são fases novas entrando constantemente em nossas vidas, e na maioria das vezes estamos prestando mais atenção na novela das nove. De repente nos vemos em outras roupas, ouvindo novas músicas e andando com pessoas diferentes. E quando percebemos isso, já estamos entrando em uma nova fase, deixando todas aquelas coisas aparentemente novas para trás.

Por que eu estou falando isso? Bom, porque um dia desses, fuçando em coisas antigas que estavam guardadas no computador e no coração, acabei reparando em quantas fases nós passamos. Acho bom estar falando isso dessa maneira, pois quer dizer que você ainda faz parte da minha vida. Aliás, foi realmente estranho o modo de como você passou dela para ser ela. Juro. Em um momento estávamos contando os nossos segredos e amores um para o outro, e então nossas bocas já estavam cumprindo outra tarefa. Eu falei que foi estranho, não falei?

Ser o seu melhor amigo é um dos maiores privilégios da minha vida (se é que posso dizer que ainda cumpro esse papel. Espero que sim). Mesmo. Acho que tudo o que eu procurava - mesmo que inconscientemente - em alguém, eu achei em você. Era engraçado quando eu te abraçava e sentia meus problemas irem embora, e quando eu te contava uma loucura da minha vida, você ria ao invés de me julgar. Seu sorriso era sempre tão lindo. E então eu comecei a vê-lo de um modo diferente. Droga, viu.

Aquela bebida nunca desceu tão quente antes de te ver com o novo cara da faculdade. Meu pressentimento era mesmo real - sabia que, se eu te visse com alguém, acabaria me arrependendo de não ter tomado nenhuma atitude antes. Tá aí, me arrependi. Pelo menos a cena de você entrando com ele no restaurante no dia do meu aniversário serviu para alguma coisa. Logo no dia seguinte, descobri que você sentia o mesmo. Por que coisas assim acontecem?

Juro que, se eu pudesse, daria um jeito de fazer todos os casais de melhores amigos saberem da nossa história. E eu falaria "se você sente algo a mais, fale!". Só eu sei o quanto de sofrimento nós poderíamos ter poupado. Quantas noites acordando pensando em você, quantos ataques de ciúme e brigas. Isso tudo quando era amor. Aliás, mais que amor.

Estou escrevendo essa carta, não para te contar a minha versão da nossa história, ou para fazer uma cena dramática falando que tudo entre nós acabou. Muito pelo contrário. Você sabe que promessas para mim são feitas para serem cumpridas (senão não são promessas). E o que eu te falei aquele dia, na nossa sorveteria preferida, não foi em vão. Para sempre, lembra? Pelo menos enquanto durar. Nem todas as eternidades têm o mesmo tamanho.

Enfim. Escrevo isso porque, você sabe, hoje faz um ano que demos o nosso primeiro beijo. Ok, eu sei que você não sabe. Você nunca foi boa com datas mesmo. Mas eu não ligo. Sei que para momentos a sua memória é boa e que, lendo isso, você vai lembrar de quando deixamos de ser nós para ser mais que nós. Sendo seu melhor amigo, sabia que tudo entre a gente era perfeito - mas faltava alguma coisa. Depois daquele dia, finalmente descobri o que era.

Tô saindo agora, vou deixar as chaves debaixo do tapete da porta de entrada. Depois que você sair do banho vai ler isso, então já adianto: pode escolher o programa hoje, eu deixo. Te busco às 20h.

PS.: Você deve estar se perguntando por que eu saí, afinal, falei que ia te esperar. Mas é que não sabia como ficar aí enquanto você abria seu mais novo presente. Você sabe, sou tímido para esse tipo de coisa.

Fases.

Quer passar de fase comigo?

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