5 de junho de 2013

Tudo poderia ser mais simples



Acordei, é claro que se inicia pelo verbo amaldiçoado final. Desprendi de vida, flores, dias, e tempos… Perderam-se todos estes e não quero encontrá-los. Foi um crime perfeito, entende? Receberam um presente (meu), um diploma enrolado num canudo e no altar, agora nomeados “prometidos e escolhidos” a dedo numa assembléia dos cinco sentidos. Decidiram: livres. Partiram: à sobra de uma salva de palmas.

Livres? Rejeitados.

Acordei ao quarto, à cama, aos olhos, ao chão frio que assusta o pé, que engraçado, minhas bochechas respondem à nevasca abaixo. É o que tenho agora. Meu rumo é o que a ponta da língua diz ser, a profecia sou eu, o sacerdote é o meu redor. Recuso-me a tatuar os improvisos de desconhecido na derme. A tinta é o veneno do desgaste do tempo, a mutação dos dias, o engano das flores cheirosas no jardim. Vivo de matéria, a antimatéria já se foi à borda do mundo, o que me calou a vida inteira irrompeu numa vibração do peito a garganta… Agora todos esses se calaram. 

Não sei do amor. Um dia recebi uma carta dele em uma promessa falante. Ele é tão inquieto e pecador. Cada pecadinho um perdão à coisa errada (ou dita errada), mas está do lado da matéria. Também do sorriso e dos olhos pecadores da direita e iluminados da esquerda. Ah, só depende do sentido de vista. Desprendi-me da cabeça, os racionais adotaram essa história de antimatérias subjetivas… Existem, longes, presas, rasgando o mundo do lado de fora, fazendo baderna nos limites da loucura. Nada contra crescer ou enlouquecer, em achar ou perder-se, nada contra nada. Eu quero é acordar e ver a verdade refletida no teto, e os cantos dos passarinhos talvez sejam mais estridentes do que a harpa dos anjos. As paredes de concreto ninguém sabe do que foram feitas, mas olhem só, são mais coloridas do que rígidas. Os sentidos se voltaram contra tudo e se aconchegaram com o nada dos objetos frívolos. Um vestido colorido é o que tem para hoje, abraçado às minhas pernas, sorrindo por esconder um segredo, enfeitado por outros olhos e florido por natureza. Um vestido rodado é a bênção da manhã. 

Amor e sonhar é a matéria que tem para mim, hoje e no fim. Acordei.

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