6 de fevereiro de 2014

Reticências: Meia Noite! E então, o que tem para hoje?



Todo nascimento é louvável, essa é a verdade. Também não entendo a lógica dos pobres e dos miseráveis nesse mundo, considerando que a obesidade só tende a crescer, essa contradição chega a ser estúpida e  injusta… Mas todo nascimento é louvável. 


Esse é o tipo de reflexão que passa pela cabeça de uma mãe quando mais uma vida vem ao mundo. Vida é o termo que se dá, mas na maioria das vezes vê-se só como “mais uma boca nesse mundo”. E essa última reflexão é do tipo proveniente de fantasmas, aqueles conhecidos, catalogados, universais… Todo mundo conhece o próprio medo, o que deixou estragar o solo fértil, o que quase matou a semente do amor. E esse é o tipo de fantasma que morre toda vez que uma criança nasce. Não há limites para uma mãe.


- Amanda, o nome dela será Amanda. - Refletiu a mãe. Como se soubesse que de dentro veio a voz da filha, com sonhos e projetos protestando para que esse fosse seu nome. 


Sonhos e projetos são o terceiro estágio da reflexão, o que importa? A proporção de amigos e felicidade é tão maior que a da morte, porque se nasceu, tem-se promessa de vida, e não promessa de morte. O que digo é que, enquanto houver fôlego há esperança, uma promessa casual, um encontro marcado em algum lugar bem específico para que tudo dê certo. A única requisição é o fôlego. 


Algo mais também vem. Inexplicável. Mas exemplificável. É como dormir de frente para uma janela de vidro, depois que todos na casa dormirem. Uma noite estrelada e enluarada, ora, convenhamos que isso não é impossível, há muitas noites enluaradas por aí. As paredes são coloridas, aconchegantes, e na noite a luz invade o quarto. Nunca se consegue dormir na hora, há sempre uns minutinhos de olhos abertos apreciando a paisagem e depois a luz. Há uns poucos ou muitos minutos de silêncio, de espaço até os limites da casa, de ar fresco na janela aberta e uma cama espaçosa. O tempo parou, a vida descansou, só o coração bate, portanto, só Amanda existe. Acabou a fome, acabou o medo, acabou as drogas, o álcool, o cigarro. Ninguém mente, ninguém, fuma, ninguém mata… Só Amanda vive.  



Noites sucessivas de tréguas que fazem uma vida virar uma menina. 


4 comentários:

  1. "A proporção de amigos e felicidade é tão maior que a da morte, porque se nasceu, tem-se promessa de vida, e não promessa de morte." Mas gente, que frase tocante. Essa foi fundo.

    www.ultraviolences.wordpress.com

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  2. Hi dear
    Nice post with a beautiful picture
    xoxo

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