12 de março de 2014

Essa coisa de amor...


Ok, eu admito, eu já disse "eu nunca vou me apaixonar". Uma das maiores bobagens que eu já falei na vida. Esse sentimento foi o melhor/pior que eu já senti na vida toda. Não sei como funciona o cérebro de uma pessoa apaixonada, mas tenho certeza de que não corretamente, pois o amor te faz fazer loucuras absurdas em troca de pequenas coisas, como um "oi", um abraço, um sorriso...  – e que para nós não tem nada de pequenas. Um dos problemas do amor é a insanidade que causa na pessoa, as oscilações extremas entre amor e ciúmes ou até a cegueira, afinal, os apaixonados não conseguem enxergar mais nada não é mesmo? Além desses probleminhas básicos, existe um fato que todos nós sabemos: a vida é injusta, ou seja, a probabilidade de a pessoa amada também amar você é de aproximadamente 0,00002% (aponta estudo feito por mim mesma).

A questão é, que quando você ama, você sofre. Não importa como, você vai chorar, ficar deprimido, comer barras e mais barras de chocolate, ouvir músicas da Adele  e ver aquelas comédias românticas que pra você parecem filme de terror.

Acontece que o sofrimento são livros. Sim, livros bem finos. São contos. Então, a cada vez que você fica triste, você pega um livro desses e coloca na mochila. Depois de um tempo, você não aguenta mais carregar mais tantos livros de contos tristes e chorosos nessa mochila. Suas costas doem, mas você não pode esvaziar essa mochila, muito menos tirá-la, afinal você faz isso por ele. Você só quer ajuda – dele – para carregá-la, um apoio. Mas aí, a pessoa que você ama se apaixona por outra – mas é claro, a vida é injusta lembra? – e então acontece! Você acaba de receber uma enciclopédia. Sua mochila está lotada até a boca e você não pode descartá-la, você tem que carregar de algum jeito. Até aparecem alguns para te ajudar a balancear o peso, mas ninguém consegue. Suas costas sangram, mas você é obrigada a sofrer bem quietinha. Certo, vejamos nossa situação. Estamos feridas, carregando um peso gigantesco em contos de terror sem saber por quanto tempo, e sozinhas. Pensamos que pelo menos a situação não pode piorar não é mesmo? Nããããão! Por que é que você foi pensar isso? Pois é, a situação piora! Aparece uma pessoa. Uma pessoa legal, carinhosa e que está disposta a te ajudar a carregar a mochila toda sozinha com uma única mão, só para poder pegar na sua com a outra. Mas você não sente nada por essa pessoa. Absolutamente nada, a não ser respeito. Vocês são amigos e já explicou que não terão nada além disso, que você vai ter que carregar a mochila sozinha. Bom, é ai que essa pessoa começa a encher sua própria mochila – ainda vazia – com contos de horror. E toda vez que esse seu amigo adiciona mais um maldito livro na maldita mochila – por sua culpa – você é obrigada a colocar mais dois na sua. E você não pode fazer nada. Você quer ajudar a pessoa, mas já tem seu próprio peso pra carregar. Eu disse que a situação podia piorar... Agora, você tem um peso imenso pra carregar e tem que fazer isso vendo seu amado com outra – ou carregando uma mochila pesada por causa da outra – e ver seu amigo carregando o maldito peso por sua causa. E eu pensava que tinha limite de sofrimento por pessoa. Acho que essas coisas deveriam ser mais bem distribuídas, sabe...

Enfim, vamos acabar logo com essa história.

Enquanto você gosta da pessoa, não importa quanto peso você carrega. Você faz de tudo por ela. Mas por mais que você goste, você cansa. E depois de todo esse tempo carregando essa mochila cheia desses contos assombrosos, você decide descansar... Então você decide ser fria. Você não esvazia a mochila, você a tira. Decide andar sem o peso, sem nem a lembrança da mochila. E você está indo muito bem, curtindo a vida, sendo feliz, pelo menos uma vez na vida né? Meses se passam e você está muito bem, mas nunca esqueceu a mochila e sabe que ela ainda está la, no chão de seu quarto, tão cheia que seus fechos não se aguentam. Quando vê que ele está tendo que carregar todo aquele peso sozinho – mesmo que por outra – você tenta ser fria, mas não consegue aguentar por muito tempo, então, pela primeira vez, decide perguntar se ele quer ajuda para carregar aquela merda cheia de contos horríveis,  e que ainda por cima você não pode ler e, surpresa! Ele trata você como um ratodebueirosujocompulgascarrapatosevermes. Você até entende no começo, pois ele está ferido, então continua tentando ajudá-lo, mas a cada dia que passa ele te trata pior. Concluindo, você volta pra casa e é obrigada a recolocar aquela mochila nas costas de novo, em cima dos mesmos ferimentos, que agora vão ficar mais fundos pelo fato de agora a mochila estar toda rodeada de lâminas e arame farpado.

Ok, agora o lado bom da história...

Você ainda está carregando essa mochila, mas do mesmo jeito que a vida é injusta, ela é surpreendente, e quando você menos esperar, vai aparecer uma pessoa 10x melhor do que aquela lá por quem você tanto sofreu. Essa pessoa vai chegar bem de mansinho, e vai abrir mão da sua própria mochila, não para carregar a sua, nem para tirá-la, e sim para esvaziá-la. Ele vai tirar todos os contos, um por um, e vai rasgá-los com suas próprias mãos e a cada dia, sua mochila vai ficar cada vez mais leve. Ele vai tirar todas as lâminas e vai desenrolar todo o arame farpado, com todo o cuidado do mundo para não te machucar com as lembranças de porque esses arames estavam ali. Ele vai te fazer carinho e passar Merthiolate nos ferimentos com tanto amor que você vai ficar boba. Ele vai te dar sorrisos. Muitos sorrisos. O equivalente ao que o outro te deu em lágrimas. Essa pessoa também vai encher sua mochila, mas de contos românticos e felizes. Às vezes ele vai colocar plumas e coraçõezinhos, só para te fazer surpresas. Ele vai gostar de te surpreender com beijos curtos e textos longos. Ele também vai ficar olhando você ler, pois ele vai adorar isso. Ele até vai aprender a tocar violão, pra tocar aquela música que ele odeia, mas que você ama. Ele também vai deixar você brava às vezes, pois ele acha que você fica muito fofa assim. Ele vai pegar na sua mão, vai te abraçar, vai te beliscar e morder, também vai te dar apelidos fofos e te chamar de chata. E, acima de tudo, ele vai te amar. Incondicionalmente.

Viu como é o amor? O amor é, de longe, o sentimento mais absurdamente estranho de todos. Ele acaba com você primeiro, para depois, quando for a hora boa, parecer muito melhor do que é. Essas coisas ruins que acontecem, são horríveis, mas necessárias. É melhor sofrer agora, do que sofrer depois, certo?


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