6 de maio de 2014

Quando a amizade se transforma


A tua mão deslizava pelo meu braço aos poucos, e então você entrelaçava seus dedos nos meus. Acho que nunca estivemos tão próximo como agora - os carinhos e abraços andam compensando todo o tempo que você ficou sumido por aí. Tempo, aliás, em que meu coração permaneceu com aquele sentimento de pisado, triturado... Machucado. Você pode achar que isso é drama, daqueles de posts de Tumblr. Mas não é, juro. E digo mais: não faz mais isso comigo não. Meu coração não aguenta.

Você então passou por mim e se sentou do meu lado. Me contou suas últimas aventuras, suas novas histórias e até de seus recentes amores. Fiquei surpresa em saber de algumas novidades, e de como isso tudo foi acontecer em tão pouco tempo. Quer dizer então que meu melhor amigo beijou seis garotas em um show na praia, voltou com 5 quilos a menos e um tanquinho novo para exibir por aí? Muita informação para a minha cabeça. Ainda mais quando eu penso que você conseguiu ficar longe de mim esse tempo todo. Sem dar notícias. E numa boa.

Mas, sabe (e você realmente sabe, porque eu te contei tudo), eu também passei esses meses fazendo muita coisa. Me divertindo, viajando, conhecendo gente nova. Ah, acabei de escrever meu livro. Te contei? Você tá nele. Não lembro ao certo o nome inteiro do personagem, só sei que ele é o melhor amigo da principal, e acaba se apaixonando por ela. Sim, eu distorço toda a vida real nas minhas histórias. Às vezes penso em como seria legal a vida imitar a arte. Às vezes tipo agora.

E então depois que todas as novidades foram sendo terminadas de contar, e o assunto foi acabando, ficamos sem ter o que conversar. O que não foi tão ruim, afinal, os carinhos foram substituindo as palavras. Se eu pudesse ficava agarrada o dia inteiro em você, pendurada no seu pescoço com cheiro de frutas e com a minha mão na sua. Só vendo o tempo passar. Olhando pra você enquanto você piscava pra mim, com aquela cara de sou-fofo-mas-estou-tentando-ser-sexy. Para minha melhor amiga.

Amizade. Droga. Tinha esquecido que o nosso relacionamento tinha um rótulo. E, além do rótulo, uma promessa. "Para sempre", lembra? Até quando nós estivermos casados, criando nossos filhos, velhinhos. Amando pessoas diferentes, ou até mesmo escondendo o sentimento um do outro para a promessa não acabar. E o "para sempre", sempre existir.

Estávamos então na frente de casa, esperando o táxi. Minha mãe gostava de você e queria que você voltasse mais vezes. E era o mínimo que podia ser feito depois do seu sumiço repentino e duradouro. Sentados na calçada, você me envolveu com um abraço. Perto demais. Meus olhos, seus olhos. Mãos grudadas, joelhos se tocando, respirações ofegantes. Sua piscada sexy. Foi.

Que se dane o "para sempre". Se eu me prendesse nessa promessa imbecil, não estaria com a minha boca na sua agora. E dane-se o nosso rótulo. Relacionamentos servem para serem alterados, promessas servem para serem quebradas. E você serve pra mim.

4 comentários:

  1. Olá, acabei de chegar no teu blog e já viciei aqui, adorei o conteúdo, to seguindo e com certeza vou vir sempre aqui. Muito sucesso a você :)
    AltoseBaixos
    AltoseBaixos

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  2. É meio o que estou vivenciando ultimamente :/
    Ps: vi no link da Bruna Vieira ! =)

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    1. Ah que legal!! Faz tempo que ela postou né haha

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