30 de novembro de 2014

Ele e ela


Ela sonhava com aqueles príncipes, não os que chegavam com cavalo e tudo mais, mas com aqueles que davam flores de mentira só para que durassem para sempre. Não que ela ligasse tanto para isso, mas ela imaginava isso com ele todas as noites. Sonhava com beijos, mãos dadas e coisas do tipo. Não muito amorzinho ou típicos programas de casais, mas apenas como se os dois estivessem unidos tendo vida e pensamentos próprios. Apenas os sentimentos e os corações eram compartilhados.

Ele gostava da liberdade e achava o sorriso dela o mais lindo que já tinha visto, dentre tantas garotas que já havia se encantado. Claro que isso não era exatamente o suficiente para uma vida a dois como todo par teria que ser, mas era fundamental para que o coração dele batesse um pouquinho mais rápido. Ela brilhava para ele mas ele nem percebia, a não ser quando estava um pouco alterado e fora de si. Mas no fundo, bem lá no fundo, o carinho que nutriam um pelo outro era enorme.

Ela tinha olhos castanhos, os dele eram quase verdes. Eles não se viam sempre, mas quando se viam, parecia coisa de outro mundo. Conversavam sobre tudo e todos; falavam sobre suas expectativas de futuro e sobre o modo como viam o mundo. Falavam sobre o universo, uma nova música que acabou de ser lançada, e sobre sentimentos. Ele sobre a menina que estava procurando; ela, sobre ele, mas sem ele nem perceber.

"O que fazer quando estamos com alguém e não nos sentimos à vontade com essa pessoa?", ela se perguntava e dirigia à ele também a pergunta. "Você termina tudo, simples assim". Ele respondia. E ela só queria falar que a pessoa que fazia ela se sentir ela mesma, era ele. Simplesmente.

Demoraria tempo para ele perceber o que sentia, enquanto pensava que era apenas um carinho muito grande. Respeito e admiração. Mas nada disso era grande o suficiente para tudo que havia guardado dentro dele, com medo de as coisas saírem do controle ou tudo virar de cabeça para baixo. Ela tinha coragem para se arriscar sem pensar nas consequências mesmo tendo passado por situações parecidas tantas vezes, ele tinha consciência de como tudo podia dar errado. Ela não estava nem aí, ele pensava no futuro dos dois mais do que tudo. Mesmo que não fosse como um casal.

Ela ouvia músicas românticas e há pouco tempo pensava em outra pessoa, até vê-lo com outros olhos. Ele sabia que isso poderia não dar certo, mas se sentia no limite de esconder e evitar as coisas.

Eles se gostavam. Mas um não sabia dos sentimentos do outro. E isso seguiria assim, até que a vontade de arriscar partisse de ambos os lados, e fosse maior que o medo e todos os outros antônimos do amor.



4 comentários:

  1. Ficou lindo, apesar de que ler coisas desse tipo ultimamente aumentam meu nivel de carência. E "Eles se gostavam. Mas um não sabia dos sentimentos do outro. E isso seguiria assim, até que a vontade de arriscar partisse de ambos os lados, e fosse maior que o medo e todos os outros antônimos do amor." essa parte ficou incrivel <3

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    1. Ain, obrigada! E poxa, somos duas na carência :'( hahaha

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