12 de novembro de 2014

Sobre tudo aquilo que você não sabe sobre mim


É, acho que você entrou para aquela lista interminável de caras - ou mesmo pessoas - que não me dão a chance de mostrar minha verdadeira eu. E isso é um tanto triste, considerando toda aquela história que poderia ter virado uma verdadeira história. Okei, não vou exagerar dessa vez, ou vou tentar, pelo menos. Acontece que tudo parecia muito mais legal antes de eu saber seu nome e ir te perguntar se você podia trocar dinheiro pra mim. Você disse que não tinha, eu saí andando e não pude evitar de voltar e perguntar seu nome. Não sei se foi a atitude certa a ser feita, mas foi. E talvez tenha sido por causa dela que tudo se desenrolou depois. Se foi isso mesmo eu não sei, mas o que aconteceu tá tudo guardado aqui ó. Dentro de mim, quietinho, sem vontade nenhuma de sair.

Se eu pudesse escolher numa escala de 0 a 10 uma nota para o que falavam de você, com certeza seria 11. Você é aquele tipo de cara fofo e certinho, bem família e - gato, pois é - que todas as menininhas e mulherões caem em cima. No começo eu não me senti insegura, não me retraí e apenas me mostrei quem eu sou, sem máscaras ou exageros. Talvez tenha tentado te impressionar uma ou duas vezes, mas não é preciso de tanto, não é mesmo? Não é qualquer menina de 17 anos que mora sozinha, longe da família e trabalha para poder pagar as próprias contas. Não é qualquer menina de 17 anos que gosta de música antiga e curte mais ficar em casa do que sair por aí ou virar a noite em alguma balada. Tanto que a primeira vez que eu fiz isso, olhe bem, foi com você. E mesmo assim eu senti que não era bem o meu lugar.

E depois de te conhecer melhor, saber seus gostos, manias e incontáveis defeitos, pensei que você quisesse me conhecer melhor também - não até certo ponto como você fez; mas inteira, de cima a baixo, de dentro pra fora. Não foi. Mais uma vez eu imaginei coisas que não devia ter imaginado, pensei que seria diferente e - vindo de você todas aquelas críticas para todos os outros caras que foram babacas - eu não pensei que viraríamos isso. Dizem que quem quer faz de tudo, corre atrás e não arranja desculpas... Vai ver a pessoa que falou isso pela primeira vez estava certo. Porque nenhuma desculpa é grande o suficiente para me fazer entender o óbvio.

Não seja igual todos os outros, eu pensava comigo mesma pela milésima vez.

Não que eu tenha ficado muito mal depois de perceber suas reais intenções. Não que eu tenha ido dormir com a minha blusa que estava com seu cheiro durante uma semana depois daquela noite em que nos beijamos. Não que eu faça carinho na sua barba lembrando do quanto ela me arranhou e você, bobo, me irritava ainda mais quando eu mostrava me importar. Não que você seja aquele que faz eu sonhar coisas fofinhas nem que seja aquele que faz meu coração palpitar quando chega perto, mas tem coisas em você que me irritam de verdade. Não que eu esteja falando a verdade aqui da forma mais irônica possível - estou apenas tentando, confesso - e não que eu sinta a sua falta e queira que aquele dia voltasse. Ou noite. Ou madrugada. O dia todo em si foi inesquecível.

Aí eu acreditei em todas aquelas palavras, e você fez a pior coisa que podia ter feito. Ou melhor, dependendo da sua real intenção. Eu percebi que não é porque alguém te fala algo a pessoa tem que cumprir, nem se ela falar que vai te ver nas suas folgas e depois do seu horário de trabalho. Okei, aí já é exagero quando você tira uma folga por semana e só sai do trabalho tarde da noite. Mas eu acreditei em frases ditas à toa, pela boca que se manteve distante por tanto tempo, e não me deu chances de matar a vontade completa. O metrô agora está vazio, o horário de almoço uma monotonia e meu celular não mostra nenhuma mensagem sua.

Não que eu ligue para essas coisas, e eu não ligo mesmo. É só a dúvida que me deixa inquieta e a maldita lista que aumenta, me provando o que, no fundo, eu sempre soube: eu podia ter te mostrado minha coleção de CD's, meu quarto e minhas camisas de banda. Podia ter te falado que amava cantar quando era menor e que tenho uma mania horrível de estralar os dedos quando acordo. Podia ter te mostrado meus talentos, meus defeitos e minhas paixões, e você podia ter percebido que era a menina certa para você, o certo para mim. Mas tudo isso só teria sido possível se você tivesse me dado o espaço ideal para minha demonstração. Podia, sim, e talvez assim, você podia ter ficado um pouco mais. Aquela noite e também na minha vida.


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E também sobre aqueles textos antigos que resgatamos só para não deixar o blog vazio. Mas também para lembrar de sentimentos passados </3

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