23 de fevereiro de 2013

O encontro

Primeiro dia de aula. O despertador toca naquela música irritante que no fundo quer dizer "Ei, hora de acordar!". Pés no chão. Cama desarrumada, água no rosto, uma caneca de leite gelado. Escova de dentes, de cabelo, um rímel. Delineador, talvez. A marca registrada da tal garota. Perfume. Chaves. Celular. Coração? Decidiu deixar em casa.

De longe ouve aquele barulho. Desce do ônibus e entra na escola pela primeira vez, quem sabe, sem expectativa alguma. Tinha acabado de se curar de um amor que já não estaria mais ali. Seu fraco por garotos mais velhos (principalmente os mais velhos de olhos claros) era inevitável. E visível. Que seja. "Esse vai ser o meu ano" pensou a garota, e entrou.

De repente percebeu o quanto havia sentido saudade daquele lugar. Uma sensação estranha embrulhou o seu estômago: era um misto de nervoso com surpresa. Havia rostos novos ali. Nenhum conhecido; talvez um ou outro já adicionados na página do Facebook, mas nada mais que isso. Estranhos, somente.

Primeira aula. Segunda. Terceira. O sinal toca e anuncia a pausa do dia. Livro? Ok. Dinheiro para o lanche? Ok. Mas que surpresa. A garota decide sair da sala de aula rumo ao pátio. Pelo menos uma vez, decide ficar com seus amigos.

Som alto, vozes ao redor. Uma música de sua banda preferida estava tocando. "Come as you are, as you were" ela cantarolava baixinho. Mais estranhos passando. Até que...

Nunca havia visto aquele cara na vida. Não pensem que essa história é como nos filmes - não, ela não esbarrou nele, eles não agacharam juntos para pegar as coisas que haviam caído no chão e nem rolou aquele tal de "amor à primeira vista". Aliás, a tal menina nem acreditava nessas coisas, viu? Acho que falta de reciprocidade acaba fazendo isso com as pessoas.

No fim das contas, eles só se olharam. Ele tinha uma pele morena, cabelo meio bagunçado, um sorriso lindo e - olhe só - olhos claros. Ela amava seus cabelos cacheados, tinha uma pele cor de leite e olhos grandes amendoados. Ela sentiu uma estranha vontade de conversar com aquele desconhecido, descobrir suas maiores aventuras e a história daquela cicatriz que tinha acima da maçã do rosto. Ele, de repente, quis ir lá perguntar o nome daquela estranha que o encarava e aprender a decifrar seus milhares de sorrisos.

Nenhum dos dois agiram. Não trocaram uma palavra sequer. Foram para casa onde estavam seus corações, e sonharam por dias com aquele momento. E o que teria acontecido se um dos dois tivesse tomado uma atitude, e o final fosse diferente.

Ninguém sabe como a história termina. Só posso falar que, tempos depois, eles se esbarraram num corredor qualquer. E agacharam juntos para pegar as coisas que estavam no chão. Ele com seu sorriso lindo, ela com seus olhos amendoados.

E quer saber mais? Depois daquele dia, os dois começaram a levar seus corações com eles. Sempre.

4 comentários:

  1. Ai meu Deus, que coisa linda *-* Me arrepiei toda aqui. Amo seus textos sério. Amo a forma que você escreve, cada palavra usada. Existem pessoas que aprendem a escrever, você já nasceu sabendo! Eu acredito sim, que você algum dia vai escrever um livro, e juro que vou ser uma das primeiras pessoas a comprar!

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  2. Nossa, que amor! Obrigada Mari, fico muito muito feliz em ler isso! Obrigada pelo carinho, e me deseje sorte para um dia escrever mesmo um livro!
    Beijos <3

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  3. Uau, que texto ótimo! Fui imaginando tudo quando li (principalmente na hora que eles se agacharam), parabéns! Muitas meninas escrevem só por modinha, mas da pra saber quando há paixão nas palavras. Adorei!
    To seguindo, segue também? :)
    A Oficina Feminina (retribuo comentários e sigo de volta)

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  4. Obrigada, chuchu! Fico super feliz de ler essas coisas, e de saber que gostam dos meus textos.
    Beijinhos <3

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