17 de setembro de 2015

Carta para uma amiga


Certa vez me disseram que um dia eu encontraria "o cara". Não digo o da minha vida, pois nem ao menos sei se um dia ficarei para sempre com alguém - mas se referiam àquele que seria o meu primeiro amor, a pessoa com quem eu finalmente daria certo e, sabe, compartilharia sentimentos e muitas outras coisas.

Na época eu até ligava para isso, mas não dei muito ouvido. As pessoas sempre falam coisas do tipo: "uma hora vai dar certo", "tudo tem seu tempo", "quando for, vai ser ótimo". Okei, legal. Mas eu não ando querendo muito saber disso, entende? O que tiver que acontecer, vai acontecer, no tempo que tiver que acontecer. Pode parecer babaca, mas é a mais pura verdade.

Para você, já falavam aquelas coisas clichês que conseguem soar piores que as dirigidas à mim - "ele não te merecia", "você vai encontrar alguém melhor". Depois de um amor um tanto fracassado, palavras e promessas jogadas no lixo, você viu que amores geralmente não duram para sempre, por mais que a gente ache que vá durar. Nós usamos a aliança, guardamos fotos, colocamos legendas lindas e poéticas em fotos, e depois vemos que nem sempre as coisas vão para a frente. Você encarou isso da maneira mais séria que alguém poderia encarar, eu entendo pelos poucos rolos e fases que tive, e também pela maior (mesmo que pouca) quantidade de anos de vida. Foi nessa descrença e desesperança toda que, enfim, nos unimos.

Dizem que batata frita com sorvete é bom, e eu não discordo. Cerveja com coxinha, pipoca com coca-cola, tequila com sal e limão. Tudo combina tanto, mas tanto, quanto eu e você. Eu sei que somos diferentes até demais; você com as suas grosserias e eu com o meu sentimentalismo, brigamos num ponto de táxi de madrugada, enquanto uma quer matar a outra e nunca mais trocar olhares ou palavras. Dali a pouco estamos nos abraçando, cantando e partindo para outro lugar dessa cidade louca, onde nos conhecemos e desde então não nos desgrudamos.

Nós gostamos de indie sim, e se quem está lendo isso agora vier nos chamar de hipsters (bleh), vá lá amigo. Compartilhamos o amor pelas mesmas músicas, completamos frases inacabadas e o delineador gatinho tão querido das sextas-feiras. Uma Heineken nunca vai ser a mesma sem você; nem uma noite dançando Arctic Monkeys ou um cara na fila nos olhando fixamente e me perseguindo a noite toda. Nem fotos no espelho no meio da maior rua de São Paulo, ou quedas no chão com cacos de vidro em volta, ou loucuras que resolvem surgir no meio da madrugada. Nada de "miga", "ruiva", "louca". Você me completa, amiga.

E sabe o mais engraçado de todas as nossas semelhanças? São os caras. Acredite se quiser, mas analisando todas os fatos e acontecimentos, o desfecho é sempre o mesmo: a gente acaba cedendo e deixando os fins de semana de lado por alguém legal e que mexe com a gente, mas que depois nos decepciona e prefere um outro alguém. Um alguém mais ou menos, mais 8 do que 80, mais açúcar do que sal. Você sabe, nossas personalidades são mais fortes do que muros rebocados e bem estruturados. Acho que ninguém aguentaria o baque, e é o que eu venho percebendo nos últimos tempos.

As pessoas tem medo de viver, mas nós não. As pessoas têm receio de mostrar quem realmente são ou o que querem, e nós não perdemos a oportunidade de mostrar que, apesar da pouca idade, sabemos e vivemos muito mais do que muita gente por aí. O que acontece é o seguinte: nós até nos tornamos fracas às vezes e nos deixamos levar por alguém, mas então reparamos que fracas eram mesmo as pessoas que não souberam lidar com o nosso jeito, nossas qualidades e defeitos.

Eu sei disso porque é com você que eu curto ao máximo a minha vida, sem ligar para o amanhã ou para compromissos com pessoas que, no fim, não me acrescentarão nada. E eu escrevo isso, amiga, para te dizer que concluí que nós somos iguais até nas superações. E que, não importa quem nos queira ou não, sempre seremos muito mais do que demonstramos - até que apareça alguém que não fuja nem tenha medo, estando disposto a permanecer ao nosso lado.

E não vamos no desligar dessa sintonia, nem assim. E enquanto isso vamos viver e aproveitar cada minuto, uma vez que não sabemos quantos ainda nos restam.

Amo você e nossas loucuras.

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