26 de outubro de 2015

24.10.15


Março de 2014. Mês e ano em que saio de Itanhaém e me mudo para São Bernardo do Campo, com muitos objetivos e sonhos em mente, além de garra para conseguir conquistar cada um deles. Meses se passaram e demorou a entrar na minha cabeça que onde eu estava seria meu novo lar - não para sempre, mas sim por definitivo. Seria o lugar onde eu iria mudar minha vida, progredir e alcançar minhas metas. Nenhuma mudança é fácil no começo, mas eu consegui. Com cada letra que me ajudou a superar um "amor" passageiro; com palavras que me mostraram que eu precisaria ter fé e ver coragem no amor. Assim eu me lembrava sempre que o amor é tão maior, e que cada esforço e lágrima valeria a pena.

Nunca passou pela minha mente presenciar o show da minha banda preferida. Não porque os integrantes de Beatles não estão mais por aqui (não todos), e não porque Los Hermanos é uma banda que entrou em hiato em uma época que eu nem sonhava em ir em shows grandes, ou sair da cidade pequena em que eu morava. É tudo muito louco e eu acredito que coisas acontecem quando têm que acontecer. Nada seria igual se eu não tivesse acordado às 7h34, saído de casa às 9h18, encontrado minhas amigas às 10h e pouco, e chegado no local do show após 12h. Todos os segundos cronometrados e passados para o momento tão inacreditável chegar.


Um dia, vendo uma entrevista da Mallu Magalhães, ela conta como foi conhecer o Marcelo Camelo. Vê-lo pela primeira vez foi algo surreal, ele parecia brilhar ou ser um alguém de outro mundo, um ser transcendental. Eu não poderia achar definição melhor para o momento mais louco e incrível da minha vida. Ver esse cara na minha frente foi algo que apagou todo o resto da minha mente; não consegui me concentrar no Barba e no Amarante que estavam bem ao lado e  que tinham acabado de entrar no hotel, mas sim nele, apenas nele. Aquele abraço de um homem bem mais alto que eu, a nossa foto, ele agradecendo e nos falando onde era a fila do show, sendo simpático e fechado ao mesmo tempo. A partir daí eu sabia que aquele seria o melhor dia da minha vida, com cada minuto e cada segundo de dor nas pernas e ansiedade por portões abertos.


Nós não fomos atrás, não entramos no hotel procurando por eles antes da foto, não tínhamos intenção nenhuma, nem ao menos imaginávamos. Cada minuto antes desse momento foi passado de maneira única e proposital para que eu pudesse vivenciar os melhores segundos da minha vida.



Estar nas melhores companhias durante o dia mais incrível de todos colaborou para que eu pudesse sorrir feito boba durante a noite inteira; aguentar a fome, sede e vontade de fazer xixi de todos os minutos causados pelo nervoso (risos).





Quando eles entraram e "O Vencedor" começou a tocar, eu ainda não sabia o que estava acontecendo ali, e minha ficha de que eles estavam na minha frente ainda não tinha caído. Foram poucos metros, sabe? A grade de ferro me separava dos caras mais talentosos que eu tive o prazer de conhecer;  ver o Bruno Medina de perto, o Barba lá longe na bateria, rever o Marcelo Camelo (dessa vez cantando e tocando exatamente na minha direção), e o Rodrigo Amarante ali, no cantinho, fazendo graça e olhando para mim enquanto cantava... Eu não consegui ao menos chorar, pois não parava de sorrir e pensar no quanto eu era sortuda por estar vivendo aquele momento. Parecia que eu estava vendo um vídeo, mas eram apenas eles ali na frente dos meus olhos. Não há palavras que possam descrever o quão surreal foram as duas horas que se passaram desde então.


E só quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei... Amarante, você foi o cara que brilha, transcendental de outro mundo pra mim. Estar tão perto assim de você me fez parar de ligar para o fato de o show estar acabando...


Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida que a gente vai passar... Porque é só lembrar que o amor é tão maior, e que você supõe o céu! Aliás, se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?

Com certeza não seria a menina que conheceu ontem a melhor banda do mundo.

Gratidão, Los Hermanos! Obrigada por me fazerem a pessoa mais realizada e feliz do universo. 

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