28 de maio de 2013

Dúvidas do amor


Certa vez me disseram que nenhum amor é igual ao outro. E como alguém que só amou uma vez na vida pode saber disso? O vácuo me faz conseguir pensar, minha cabeça muda de lugar a toda hora e meu corpo procura respostas. O telefone acende anunciando novas mensagens, o teto nunca pareceu tão perto de mim e o chão, tão frio. Será mesmo que os amores são diferentes?

Quando a música tocou de novo, senti agonia e desejo de voltar no tempo. Somente para ter a mesma sensação. Sensação, esta, que não vai ser sentida de novo da mesma maneira. Entre aspas, explico o quanto queria que isso se repetisse, mas que fosse algo com retorno e aviso prévio. Quero poder sentir a mesma coisa mil vezes, de diferentes maneiras, com pessoas e situações diferentes. Sou imensidão, sou cheia de amor e dor.

E quando a próxima experiência chegar, poderei te responder. Se dois amores não podem ser iguais, se eles não se igualam e não possuem os mesmos passos. Atravessarei a rua, limpa, pronta, capaz. Sentirei de novo, o mesmo? Não sei. Sei que as perguntas que não têm respostas são as que me movem a andar sem olhar para trás.

Amor, amar, a dor. Se dois sentimentos não são o mesmo, as situações são diferentes, por que sempre a mesma agonia? Reciprocidade, confiança, lealdade, amizade. Um punhado a mais e a menos, e tudo gira e se diferencia. Já entendi. Amor e outro amor não são iguais, se diferem apenas por isso: a quantidade de cada ingrediente varia. Concentração e solubilidade distintas, soluções com diferentes quantidades de soluto. Misture e terá outra solubilidade. A aula de química nunca tinha sido tão útil antes das perguntas que vagavam sem respostas.


5 comentários:

  1. Uau, você escreve muito bem. Parabéns pelos textos, desse jeito sua carreira de jornalismo vai longe (:

    http://parasemprefrancielli.blogspot.com

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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